Minha barriga egocêntrica
Minha barriga tem me trazido angústia. Está grande,flácida e branquela
O que mais me indigna não é o fato dela estar horrorosamente fora de forma e sim as sensações que ela sofre.Não passam de náuseas, dores intestinais,cólicas, fome e queimações.Será que precisarei gritar para os comandos do meu corpo mole que anseio desesperadamente sentir o saudoso friozinho na barriga?
Há tempos não sinto borboletas dentro de mim, muito menos bolhinhas flutuantes.
Meus joelhos clamam para que, extasiados,choquem um ao outro.As pernas torcem para fraquejarem e as mãos querem sujeitassem ao tremor.Os pulmões desejam perder o ar. Minha pele quer o gotejar do suor pegajoso e frio.O coração aflito, quer palpitar mais forte.
- Vida, eu quero me apaixonar!
Ah! Não adianta gritar ao léu.Parece que todos se ensurdeceram com meus altos brados.
A culpa é da minha barriga,que só enxerga o próprio umbigo estufado. Só pensa em suas dores e defeitos, se fechando para as boas impressões que o meu corpo precisa para se encher de vida.
Ouvindo Zé Ramalho...

Escrito por Donna Oliveira às 01h19
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Mais um serviço para o caminhão de lixo
Tudo começou quando minha curiosidade levou-me a constatar quem poderia ter me bloqueado no MSN Messenger. Susto! Meu “ex casinho” o fez. Confesso,na hora fingi pra mim mesma que não estava afetada.Ótimo,assumo, eu estou uma fera!
Me transporto para todas as nossas conversas virtuais,não encontro motivos que possam ter levado ele a tal atitude.
Minha memória me traz nojo.Sinto repugnância de suas doces malditas palavras dizendo-me o quanto se preocupava comigo e como sentia a minha falta.Eu me sentia nauseada com tanta bondade e deprimida por não ser tão boa quanto você.
Paira sobre mim uma felicidade estranha,não me submeto mais a nenhuma flagelação por não ter conseguido você. Porque o cara que eu conhecia não existe, eu só enxergava o teu disfarce idiota.O dono da máscara, eu não quero.Abomino quem tem vergonha do seu próprio “eu”.
Antes você estava nulo, incolor dentro de mim.Agora está na fila no lugar mais podre e recôndito do meu coração, esperando a sua vez de ser despejado,junto com as outras merdas da minha vida.
Estou ansiosa para que o meu caminhão de lixo interior passe fazendo uma limpeza, pois não agüento tanto entulho e fedor dentro de mim.
Ouvindo o silêncio...

Escrito por Donna Oliveira às 22h34
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