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.: Entrego-me a uma espécie de invasão :.
 


Iê-iê-iê

 

Sempre digo que gostaria de ter vivido nos anos 60. Invejo a geração idealista que teve força nos pulmões para bradar bem alto contra a intolerância da radical  política vigente.

Ainda que digam: “só a minoria participou de tantos manifestos”... eu queria ter feito parte da década de 60.

Festejaria com a seleção bi-campeã. Cantaria "É proibido proibir", de Caetano, com toda a minha força. Choraria com Chico.Faria topless porque o novo me entusiasma. Absorveria os ideais de Martin Luther King. Acompanharia embasbacada, mesmo que pela mídia, as facetas de Che Guevara. Sonharia ser tão mulher como Jacqueline Kennedy. Participaria dos levantes estudantis contra a ditadura. E lógico, não poderia faltar a polêmica e histórica minissaia.

Minha vida seria regada a Bossa Nova, Beatles e a  Jovem Guarda, com seu iê-iê-iê.

Eu sou pop-art. Queria ter usado o vestido com as estampas das latas de sopa Campbell's , do genial Andy Warhol, como protesto à sociedade consumista e,assistido vigorosamente  a "Easy Rider" com sua crítica à vulgaridade da sociedade americana

Não vivi, não era nascida.

Me resta a nostalgia por não ter feito parte de tanto idealismo revolucionário e, descontentamento com a minha geração rasa, fútil, sem alma e empobrecida.

O Nirvana entendia profundamente minha neura. Cantemos todos a nossa realidade com a Geração X o hino Smells Like Teen Spirit.( Isso se sua voz conseguir suplantar o funk que a vizinha ao lado está ouvindo.)

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Donna Oliveira às 18h38
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