Não sei
Sinto-me fatigada. Insatisfeita. Sedentária. Confusa. Cansada. Carente...
Tenho que atualizar o blog e me falta inspiração. Preciso de um namorado e nem sei o que fazer. Ligar pra ele? Não. Agora que tive o ardoroso prazer vingativo de o rejeitar, não posso voltar atrás. Vi umas fotos dele por acaso no Orkut, deu saudade. 22 anos, novo demais, certo demais, trabalha demais, manhoso demais... perfeito demais.
Horas assim que percebo o quanto não me conheço, não me desvendo. É tudo tão desconexo e ambíguo dentro de mim. Me desconcerto comigo mesma. E isso! Essa é a verdade: é desconcertante não me conhecer.
Aventurar-se no auto conhecimento é curioso, entretanto, doloroso. Saber que não somos tão bons como gostaríamos dá uma puta deprê. Sinto medo das minhas reações, dos meus sentimentos, das minhas vontades, dos dias que estou meio “sei lá”, sem saber o que de profundo me incomoda.
Triste é se conhecer e saber que as pessoas não conhecem e o projetam de maneira totalmente distorcida. A sociedade adora rotular. É falta do que fazer, têm medo de descobrirem suas profundidades. Se divertem qualificando os outros, é um tal de: “essa é patricinha”, “essa é safada”, “essa é pobre mas metida a rica”, “essa é chifruda”, “esse é falso”, “aquele é mentiroso”, “ o outro é ruim de cama”, “aquele é falido”... e por aí vai. Vivemos representando num reality show. Cansando nossos braços ao levantar a máscara do sorriso. Perdendo tempo maquiando nossa realidade. A superficialidade me degenera. To de saco cheio das relações polidas. Do politicamente correto. Das segundas intenções... Falta vida meu Deus, falta vida!
Me afogo em meus princípios que não cumpro. Na minha crença que não sigo. No amor que não sacio. Nos objetivos que não alcanço. Nas interrogações, que me fazem companhia constantemente. Na vulnerabilidade das minhas vontades. No risco que não corro.
Eu afundo porque não saio do lugar. Faltam forças para o primeiro passo. Meu chão é movediço.
Que diferença faz ter os pés fincados?
