Em homenagem aos meus amigos do Maria da Graça... JJ e a Jaque, que nos contou sobre O Dia da Doninha. (Maria da Graça é uma brincadeira da qual participamos, e os dois dizem que vão patenteá-la,hah)
A vida é uma incógnita. Andamos alienados com nossas interrogações, aguardando o grande momento em que um dia tudo em nós e no mundo será desvendado.
À procura de segurança, tentamos desvendar o outro. Queremos saber em que chão pisamos... nossos traumas interiores nos impedem a ousadia. Manias! Queremos ler pensamentos, queremos entrar no outro, sufocar seus desejos, descobrir os seus planos e acabar com o mistério... tudo pela infeliz necessidade de se sentir seguro e sólido. Não temos paciência para possibilidades. Tudo tem que acontecer conforme planejamos e os que estão ao redor têm que brincar de adivinhação para entrar nas nossas peripécias diabólicas. Adoramos ser misteriosos. É excitante. Nós podemos ser... mas os outros, não!
Ser metódico é virtuoso e, tantos métodos para o bem estar têm nos levado à mesmice: orgasmo só na mesma posição.Café só na caneca verde. Dormir só com o travesseiro de estimação. Homem bonito é o bombado. Mulher boa é a gostosa. Sentar só no puff rosa. O cabelo tem que ser o que a moda dita, etc.
Temerosos, não nos lançamos ao novo, ao desconhecido, ao improvável. Claro! Os padrões nos dão subsistência suficiente para que adequados a eles, tudo sairá conforme esperamos - assim nos enganamos.
Existimos como a lenda americana “O dia da Doninha”: acordamos em dias exatamente iguais e tentamos, desesperadamente, procurar um meio para que possamos mudar o seu curso e assim, sairmos da maldição - a mesmice.
Escrito por Donna Oliveira às 17h47
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