Você acha que me conhece. Talvez seja uma “quase verdade”. Já notou a incógnita na minha testa? É puro charme para não parecer vulnerável. Comigo dois mais dois é igual a quatro, pena que contigo é cinco. A minha interrogação tatuada é reflexo da que você carrega na alma. Teu tipo intransponível me causa receio e uma certa vitalidade para descobrir até onde esse coração degela – será que degela?
Esse jogo de palavras diretas, claras e grotescamente sinceras doem meu ouvidos. Eu tenho minha parcela de sensibilidade, sabia? Eu preciso dizer pra você perceber. Tão perto e tão distantes, juntos e separados... porque a gente é assim?
Eu lhe dou metade de mim, você me dá a sua metade e assim brincamos de massinha de modelar, criando coisas deformadas, porque a gente não sabe fazer e ser por completo.No fim das contas, falta algo, falta doação, falta coragem e sobra verniz, tinta e um sorriso pintado nesse nosso joguinho de quase se envolver.
É isso que somos: um quase. Como bem disse Veríssimo: “... é o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi”.
E vivemos assim: com o sabor dos deuses deslizando em nossa boca ao som do rock progressivo, sempre na iminência de um tchau. Sempre com o radical friozinho na barriga por poder ser a nossa última vez e logo um até nunca mais.
Se viver é expectativa meu bem, aqui se esvai meu último fôlego de vida.
Escrito por Donna Oliveira às 02h49
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