Fragilidade fragmentada
Vasculho incansavelmente. Procuro avidamente. Olho ao redor. Os cantinhos obscuros não me passam despercebidos. Adentro o labirinto por onde passa o esgoto do esquecimento que invariavelmente vem à tona. As lembranças, recordações. Nada encontro. Nada sólido. Nada palpável. Queria algo de mim nesse texto, mas “o nada” encontro; o que já é alguma coisa. Ou nada?
Falta algo realmente substancial circulando em mim. Isso funciona como um imã para o abstrato. O abstrato que piso. A imaginação que vivo. A minha realidade não realizada. Isso pode chegar confuso até você. Perdão. Nada sólido aqui. Então, tento colher os fragmentos do que seria eu e encontro apenas hipóteses, adjetivos, teses... nada de comprovações, só suposições. O que isso significa? Também não sei.
Nada aqui é literário. Mesmo sabendo que essa seria a idéia. É uma tentativa frustrada de desabafo. E o que sai de mim é o nada fragmentado brincando de quebra-cabeça com meu ser. Essa brincadeira cai bem, o nome diz tudo. Eu só quebro a cabeça e isso parece me divertir. Nem sei o que me diverte. Só sei o que me cansa, e o enfado gosta de dar as caras para que eu não esqueça que ele gosta muito mim. E eu o cumprimento e não o rejeito, aceito - venha, já que sazonalmente faz parte de mim.
Os sorrisos. As brincadeirinhas infantis tão sempre iguais. Os desejos repelidos. A dor imprimida incolor nas ações. Os joguinhos de sempre. As auto-afirmações cambaleantes. As certezas volúveis, mesmo que indesejadamente. O não controle de nós mesmos. Marcas que se negam a desaparecer. A mesmice de capa nova, disfarçada. Seria essa a constituição? Constituição do nada que me reveste, que me cega e faz com que eu não veja, apenas apalpe no escuro a sombra da minha imaginação.
Nada claro. Tudo escuro a ponto de não me enxergar. Mais uma vez: perdão. Eu só entrei dentro de mim buscando algo que me fizesse ser mais e deparei-me apalpando a realidade da desordem existente aqui. Mergulhei dentro de mim e encontrei o vácuo. Isso me trouxe tristeza.

Escrito por Donna Oliveira às 16h01
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