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BRASIL, Sudeste, VITORIA, Mulher, de 20 a 25 anos



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.: Entrego-me a uma espécie de invasão :.
 


Tecendo a mortalha

 

O meu sorriso aberto e brilhantemente metálico de repente é empalidecido. Os meus suspiros, sem explicação, arrancam-me todo o ar e eu desesperadamente me contorço, esperneio e sufoco, desfalecida. Os meus olhos outrora ilumunados perdem vida, morrem opacos. O suor dos meus dedos entrelaçados seca, minhas mãos racham, meus cabelos apodrecem e minha garganta fecha. Estou em decomposição.

 

A minha alma cansada se esvai de mim, me deixando ali, fria e abandonada. Da morte uma lágrima quente, cheia de vida,  atrevida, pula os meus olhos gélidos. É dor.

 

A dor quer me aquecer para que eu volte à vida. Mas só existe vida com dor? A vida me expulsou porque terminantemente desafiei tudo o que me tornava doente. Eu não quero sobreviver num leito. Eu não quero chorar para me encher de vida. Eu não quero me sentir depressiva quanto aos meus impulsos, para obter o título de corajosa  que enfrentou seus medos, a destemida que viveu intensamente, e agora padece deteriorada por não ter tido êxito em suas investidas.

 

Se isso é viver, eu prefiro extinguir. Quero ser indolor, intocável e intrasponível. Quero a armadura mais poderosa e o coração mais duro. Quero os olhos mais intransigentes e as mãos mais ameaçadoras. Quero proteção.

 

 O medo me corroeu por dentro. As minhas lágrimas salgaram o sangue que circula em minhas veias. Fiquei indefesa. Mas, num ímpeto vitorioso, eu recusei tudo o que dói. Eu recusei sentimentos, o frio na barriga e o tremor do meu corpo. Eu recusei a excitação e a esperança. Eu recusei a ilusão e o desejo. Recusei sentir.

 

Minhas defesas já estavam muito enfraquecidas. Meu corpo não agüentava mais nadar contra a maré. Agora não sinto mais dor e estou distante de tudo o que dói. Me rendi. Vesti a mortalha. Perdi o jogo. Senti. Felizmente a morte me sobreveio, tornando-me alheia à todo tipo de calor que me destrói.

 

 



Escrito por Donna Oliveira às 01h45
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Aleatórios de mim

 

 

 

Eu escrevo para esvaziar de mim.

Para não explodir.

Para não jorrar.

Para não me desfazer.

Para não me render.

 

          ***

 

Eu preciso te ver ofegante, pra me sentir revigorada.

Eu preciso te ver suado, pra me sentir fresca.

Eu preciso do teu beijo na testa, pra me sentir limpa.

 

         ***

 

Estou a léu, sorrindo desajeitada. Brincando desajeitada. Caminhando desajeitada... sendo feliz desajeitadamente.

 

          ***

 

 

 

 



Escrito por Donna Oliveira às 17h54
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