Dentro de uma cabeça aparentemente fresca, inúmeras palavras transitam, se esbarram e brigam. Cada qual clama para ser valido e concretizado o seu significado nas ações cotidianas das escolhas. Num painel mental que mais parece palavra cruzada, tudo se confunde, perde o teor real e se esvai. Deixando assim as decisões para o dia seguinte, afinal, nada ficou esclarecido dentro das incógnitas. Numa briga de razões, nada ganha sentido.
A reciprocidade discute com a prioridade. O juntar e separar, antônimos, não chegam a um ponto em comum. Como relâmpagos cruzam-se a vontade, o sentimento, a lembrança, o perto, a saudade, o desapego, a falta, a conversão e a indiferença. Como chamarizes para a realidade, a incerteza, o futuro, o imutável, o estar, ir, ficar, o longe, apego, a escolha, dão show à parte. O senhor dessa desordem existente – o medo!
Num emaranhado de hipóteses, deixa estar. O medo tem o poder de atar as possibilidades e nublar o futuro. A comodidade confortavelmente parasita sem culpa, minando a coragem, embaçando o novo. Os pés fincados impedem o primeiro passo em direção ao risco aventureiro. O cheiro de novidade provoca náuseas – o medo!
O charme da inflexibilidade, fantasiada de auto-afirmação, parece dotar-nos de certo poder: o poder de endurecer. Endurecidos, aparentemente seguros, enfeitamos nossa muralha. Agachados nos escondemos atrás dela, tampamos os ouvidos, apertamos os olhos e, alheiamente (sobre)vivemos.
Como meros observadores com as forças dissecadas e o coração transpassado por um filete gélido cortante, passamos pela vida assistindo ao duelo entre razão e coração. À briga entre medo e coragem. O clássico viver e existir. O roteirista dessa história clichê – o medo!
Escrito por Donna Oliveira às 15h12
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